No feminino, 12 jogadoras voltaram para seus clubes. No masculino, 17 atletas foram dispensados
Foto: Divulgação CBV
Atletas sonham defender o Brasil em competições internacionais
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29 meninos lutam para ficar entre os 18 selecionados
Além de conviverem com a pressão diária e com a necessidade de mostrarem resultados que lhes garantam uma vaga na seleção brasileira infanto-juvenil de vôlei, os atletas que estão em avaliação no Centro de Desenvolvimento do Voleibol, o Aryzão, em Saquarema (RJ), passaram por mais um desafio. Nesta terça-feira (02.02), meninos e meninas de 15 a 17 anos tiveram que dar entrevistas e agir com naturalidade diante das câmeras de TV.
"Se conseguirem chegar à decisão do Sul-Americano, no Peru, vão ter que enfrentar ginásio cheio e transmissão ao vivo para todo o país. Portanto, este já é o primeiro teste", disse Antonio Rizola, técnico da seleção feminina, antes do início do treino da manhã.
Apesar do nervosismo inicial, aos poucos o constrangimento diante de câmeras e microfones foi se transformando em motivação. Pelo menos é o que garante Mariana Richa, que seguiu os passos da tia Ana Richa, levantadora e capitã da seleção feminina na década de 80.
"A primeira vez é sempre difícil. Mas alguns campeonatos que disputei já tiveram transmissão local. Sem dúvida, a pressão aumenta com a TV aqui, mas isso é bom. Temos que estar acostumadas a lidar com este tipo de situação. Durante o jogo a pressão é maior ainda", contou a levantadora, de 15 anos.
No masculino, o oposto Wágner, conhecido como Negão, sonha fazer com que todos conheçam a cidade mineira de Mar de Espanha. "Já sou famoso na minha cidade, que tem apenas três mil habitantes. Meu sonho é conseguir ficar na seleção e conquistar títulos. Quero fazer com que Mar de Espanha fique mais famosa", afirmou Negão. "Vou ligar para meus familiares e falar que vou aparecer na televisão", completou.
Os primeiros cortes
No último sábado (30.01), 46 meninos e 44 meninas chegaram a Saquarema com o sonho de vestir a camisa verde-amarela e defender o país em competições internacionais. No entanto, depois dos primeiros dias de avaliação, os técnicos Antonio Rizola e Percy Oncken já realizaram os primeiros cortes. No feminino, 12 jogadoras voltaram para seus clubes. No masculino, 17 atletas foram dispensados.
"Num primeiro momento, achei que o grupo era regular. Mas, com as primeiras dispensas, a equipe encorpou. Esta pode ser uma geração forte. São jogadores com potencial e com grande possibilidade de crescimento físico", analisou o treinador da seleção masculina, Percy Oncken, que hoje conta com 29 atletas.
"O Sul-Americano já está chegando e temos que definir a equipe. Até o fim desta semana, fecharemos o grupo de 18 jogadores que começarão a preparação para o campeonato", disse Percy, que conquistou o título mundial com a seleção juvenil em 2009, na Índia.
O Campeonato Sul-Americano infanto-juvenil masculino será realizado entre os dias 9 e 17 de abril, na Venezuela. A competição feminina será disputada no segundo semestre, entre 24 de agosto e 2 de setembro, no Peru.
Apesar do período maior para a preparação, o técnico Antonio Rizola sabe que terá muito trabalho pela frente e pretende definir até o próximo dia 12 as atletas selecionadas para compor a equipe. "Ainda há uma deficiência técnica grande nesta geração. Temos que trabalhar principalmente o bloqueio, a recepção e o levantamento. Hoje conto com 32 jogadoras, mas acho que quando definir as 18 atletas teremos um grupo competitivo", afirmou Rizola, lembrando que mesmo as jogadoras que não ficarem na seleção continuarão sendo avaliadas em seus clubes.
"As jogadoras que não são selecionadas voltam para os clubes com orientações da comissão técnica e continuam sendo avaliadas. O ciclo da base dura quatro anos e todas podem ter uma segunda chance", enfatizou Antonio Rizola.
A levantadora paraense Naiane, de 15 anos, é uma das candidatas a uma vaga na seleção brasileira infanto-juvenil e quer fazer de tudo para permanecer no grupo. "É sempre bom ter a oportunidade de mostrar o nosso trabalho. Aqui procuro fazer o melhor em cada treino. Minha meta é passar nos testes e ficar na equipe. Temos que fazer de tudo para aproveitar esta chance", disse Naiane, que também joga como ponteira.
Visita de ouro
No último fim de semana, José Roberto Guimarães, técnico da seleção feminina adulta campeã olímpica em Pequim/2008, esteve no Aryzão para acompanhar o início das avaliações. Amigos de longa data, ele e Antonio Rizola conversaram sobre as necessidades futuras da seleção.
"O principal objetivo das seleções de base é promover a reposição na equipe adulta. Eu e o Zé Roberto somos muito amigos. Trocamos ideias e apontamos o que precisamos a curto prazo, que é formar opostos e ponteiras-passadoras. Para as jovens atletas também foi muito importante saber que o técnico da seleção adulta está acompanhando o crescimento", encerrou Rizola.